Problemas e soluções

PETG fazendo fios (stringing): como resolver passo a passo

Atualizado em 1 de novembro de 2026 · 8 min de leitura · Equipe MakerPrice 3D

Fio no PETG tem duas origens bem diferentes: plástico que escorre do bico enquanto ele viaja de um ponto a outro, e vapor de água dentro do filamento. A primeira se resolve com ajuste no fatiador; a segunda, só secando o rolo. Olhar a peça com atenção mostra qual das duas você tem, e isso evita mexer em retração por horas sem resultado.

Como reconhecer o tipo de fio

  • Teias entre partes separadas, como entre duas torres ou entre os dedos de uma mão: plástico escorrendo durante o deslocamento. Pode ser temperatura alta ou retração curta.
  • Fios finíssimos, tipo cabelo, espalhados pela peça, com superfície áspera, bolhas ou estalos no bico: umidade. A água vira vapor no bico e o plástico derretido estoura e escorre, explica a Bambu Lab.
  • Gotas e caroços na parede onde o bico parou ou começou: é o oozing, o mesmo problema de excesso de plástico no bico, com a mesma origem.
recolhe o filamento antes de viajar Sem retração suficiente o plástico escorre na viagem Com retração o bico viaja seco Sem retração suficiente o plástico escorre na viagem recolhe o filamento antes de viajar Com retração o bico viaja seco
A retração puxa o filamento alguns milímetros de volta nos deslocamentos em que o fatiador a aciona, tirando a pressão do bico para ele não pingar no caminho.

As causas, da mais provável para a menos

  1. Filamento úmido. É a primeira causa da lista da Bambu Lab sobre fios, e nenhum ajuste compensa.
  2. Temperatura do bico alta demais. O plástico fica mais fluido e escorre sozinho.
  3. Retração curta ou lenta para o deslocamento. Sobra pressão no bico quando ele começa a viajar.
  4. Muitos deslocamentos longos. Peças espalhadas pela mesa ou com muitas partes soltas.
  5. Bico gasto ou maior que o do perfil. Um bico de 0,6 mm com o perfil de 0,4 mm, ou um bico gasto, deixa sair plástico demais. A Prusa lembra ainda que o PETG pode deixar resíduo dentro do bico depois de muito uso: vale limpar.

Páginas da Bambu Lab e da Prusa conferidas em novembro de 2026.

Os ajustes, na ordem certa

Mude um de cada vez e imprima o mesmo teste a cada mudança; mexer em três coisas juntas esconde qual resolveu.

Ordem Ajuste Por onde começar Como mudar Limite
1 Secar o filamento 65 °C por 6 a 8 horas — o que o fabricante indicar
2 Temperatura do bico o valor do perfil 5 °C para baixo por vez o piso da faixa do fabricante
3 Distância de retração direta: cerca de 1 mm; Bowden: cerca de 3 mm aos poucos, com o teste de retração direta: 2 mm; Bowden: o menor valor que deixa a torre limpa
4 Velocidade de retração direta: 20 mm/s; Bowden: 40 mm/s um pouco mais rápida quando a extrusora começa a falhar ou morder o filamento
5 Caminho do bico ligar wipe e evitar cruzar paredes — —
6 Ventoinha (depois da 3ª camada) 20% aos poucos metade da potência, se a resistência importar

1. Seque o rolo. A Polymaker indica 65 °C por 6 horas para o PolyLite PETG; a Bambu Lab, 65 a 70 °C por 8 horas no forno de secagem. O passo a passo está no guia de secar filamento. Se o rolo vai imprimir por muitas horas, deixe-o numa caixa fechada com sílica durante a impressão.

2. Baixe a temperatura. A Prusa sugere de 5 a 10 °C abaixo do perfil e conferir se os fios diminuem. Não saia da faixa do fabricante: a Polymaker indica 230 a 260 °C para o PolyLite PETG, e a Bambu Lab 240 a 270 °C para o PETG comum e 230 a 260 °C para o PETG HF. Abaixo da faixa, as camadas ligam mal e a peça fica fraca.

3. Acerte a distância de retração pelo tipo de extrusora. Na extrusora direta, o motor fica em cima do bico, e retrações curtas bastam: a Polymaker indica 1 mm, e a Bambu Lab e a Prusa (MK3S e MK2.5S) recomendam não passar de 2 mm, porque retração longa demais pode entupir. Na Bowden, o motor empurra o filamento por um tubo comprido, e a retração precisa ser maior: a Polymaker indica 3 mm, e o perfil de fábrica da Prusa MINI usa 3,2 mm.

4. Ajuste a velocidade de retração. A Polymaker indica 20 mm/s em extrusora direta e 40 mm/s em Bowden. Mais rápido ajuda até o ponto em que o motor pula passos ou a engrenagem morde o filamento, avisa a Prusa.

5. Encurte e limpe o caminho. Ligue Avoid crossing walls (evitar cruzar paredes) no Bambu Studio e no OrcaSlicer, Avoid crossing perimeters no PrusaSlicer ou o Combing Mode no Cura: o bico viaja por dentro da peça e o fio fica escondido. Deixe ligados Wipe while retracting (limpar ao retrair) e a retração na troca de camada. Baixe o Z hop (Lift Z no PrusaSlicer), que a Prusa aponta como fonte de fios, sem zerar se o bico começar a bater na peça. E mantenha baixa a distância mínima para retrair: a Prusa usa 1 mm e avisa que valores maiores aumentam os fios.

6. Use a ventoinha. A Prusa diz que resfriar o PETG reduz fios e indica a ventoinha desligada nas primeiras camadas e depois a meia potência; a Polymaker indica 20%. Mais ventoinha deixa a superfície mais limpa, mas a ligação entre camadas mais fraca.

O teste de temperatura e o de retração

Não chute valores: imprima os testes. No OrcaSlicer, o menu Calibration tem Temperature (uma torre com blocos de temperaturas diferentes, de 5 em 5 °C) e Retraction test (uma torre que aumenta a retração com a altura). O Bambu Studio tem os mesmos testes, que aparecem quando você liga o Developer Mode nas preferências e são pensados para impressoras de outras marcas, segundo o guia de calibração da Bambu Lab. Na torre de temperatura, escolha o bloco mais frio que ainda tenha boa ligação entre camadas e boa superfície. Na de retração, o critério da Bambu Lab é o menor valor que deixa a torre limpa; se o topo da torre continua cheio de fios, o filamento está pedindo secagem. No PrusaSlicer e no Cura, dá para baixar uma torre pronta e trocar a temperatura por altura (no Cura, com o script ChangeAtZ).

Faça a torre de temperatura antes da de retração: com a temperatura errada, o teste de retração aponta o valor errado.

O que sobrar: acabamento com soprador térmico

Fios finos somem com uma passada rápida de soprador térmico. A Prusa indica cerca de 200 °C, mirando os fios por um ou dois segundos e sem insistir, para não deformar a peça. Fios grossos saem melhor com estilete ou alicate de corte antes do ar quente.

Como evitar que volte

  • Guarde o PETG fechado com sílica; no PETG HF e no PETG Translucent, a Bambu Lab trata isso como obrigatório.
  • Aproxime as peças na mesa: a Bambu Lab indica reduzir o espaço entre elas para encurtar a viagem.
  • Salve os valores que funcionaram no perfil do filamento, não no da impressora. No Bambu Studio, as substituições de retração por filamento (Setting Overrides) deixam o PLA com os valores dele.
  • Troque o bico quando ele estiver gasto e confira se o diâmetro no fatiador é o do bico instalado.

Quanto custam os fios

Em geral, os fios não estragam a peça: o custo aparece no seu tempo de acabamento. Um exemplo, com premissas declaradas: um lote de 20 peças de PETG que, por causa dos fios, pede 5 minutos de limpeza cada uma. São 100 minutos; a R$ 40 por hora, que é o valor de referência da calculadora, dá R$ 66,67 de mão de obra que não estava no orçamento.

Secar o rolo custa bem menos. Supondo um secador de 60 W ligado por 6 horas, ele gasta 0,36 kWh; a R$ 0,95 o kWh, são R$ 0,34. Os testes de temperatura e de retração são peças pequenas, e o fatiador mostra o peso e o tempo de cada um antes de você imprimir. Se você vende, coloque o tempo de acabamento na conta da peça: a calculadora soma os minutos de preparo e de acabamento na mão de obra.

Perguntas frequentes

Por que o PETG faz mais fios que o PLA?

O próprio fabricante Polymaker diz que o PETG é mais propenso a fios que o PLA. Ele imprime mais quente e, na prática, derretido tende a esticar em vez de romper quando o bico se afasta. Por isso o mesmo perfil que deixa o PLA limpo costuma deixar fios no PETG, e vale ter retração e temperatura próprias no perfil do PETG.

Retração maior sempre resolve?

Não. Na extrusora direta, a Bambu Lab e a Prusa recomendam não passar de 2 mm, porque o filamento puxado para a zona fria do bico pode entupir. Se a retração já está no limite e os fios continuam, volte aos passos anteriores: as causas mais prováveis são filamento úmido ou temperatura alta.

O PETG HF muda alguma coisa?

Muda. Na tabela da Bambu Lab, o PETG HF imprime numa faixa mais baixa (230 a 260 °C contra 240 a 270 °C do PETG comum), e secar antes de usar e manter com sílica durante a impressão passam de recomendados a obrigatórios. Ou seja: o HF é ainda mais sensível à umidade.

Imprimir várias peças de uma vez aumenta os fios?

Sim, porque o bico viaja mais entre uma peça e outra. Aproxime as peças ou imprima uma de cada vez: a Prusa cita a impressão sequencial (Complete individual objects no PrusaSlicer) como forma de reduzir os fios entre peças, com o cuidado de o bico não bater nas peças já prontas.

Trocar o bico ajuda?

Pode ajudar. A Bambu Lab cita o bico gasto entre as causas de fios, e a Prusa lembra que o PETG pode deixar uma camada de resíduo dentro do bico depois de muito tempo de uso. Se os fios apareceram aos poucos, com o mesmo filamento e o mesmo perfil, limpe ou troque o bico.

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